Um dos problemas de pensar demasiado (quem somos, para onde vamos e coisas do género) é, vai não vai, ser assolado por sentimentos de desânimo quando me apercebo que o mundo em que todos temos que viver é uma autêntica trampa (ia dizer merda, mas achei que não ficava bem num blog respeitável como este). No entanto, por vezes tenho o privilégio de presenciar em primeira mão acontecimentos que me elevam o ânimo, e restauram, ainda que numa base temporária, a minha fé na humanidade.
Acontecimento nº 1: fui a uma entrevista esta semana, ficando depois a saber que, mesmo estando o lugar ocupado, o entrevistador quis dispensar tempo a todas as pessoas que concorreram, para conhecer o seu percurso pessoal e profissional. Não sei como foi com os restantes candidatos, mas a mim foi-me dada uma saudável crítica ao portfolio e imensas dicas para me ajudar a entrar no competitivo mundo da comunicação.
Acontecimento nº 2: não sei se já deixei escapar por estas andanças (e isto é, definitivamente,um acto vergonhoso de marketing pessoal), mas actualmente trabalho como freelancer, acumulando as funções de designer gráfico e gestor de conteúdos de websites (as pessoas que devemos respeitar pelo esforço de inserirem o que realmente torna um site útil!). Hoje, graças ao meu primeiro (e até à data, único) cliente, consegui dar o primeiro passo na expansão da minha carteira de clientes – como previsto nos meus planos, daqui até ao domínio mundial já só faltam mais uns degraus.
[Cliente nº 1: usando a analogia do C., vocês continuam a ser as grávidas na caixa prioritária]
[Possíveis clientes: não se acanhem!]
Acontecimento nº 3: ultimamente tenho comprado livros pela net e, regra geral, limito-me a editoras portuguesas que enviem as obras à cobrança, pois neste momento não pretendo (nem posso) arcar com os custos associados a um cartão de crédito. O último livro que encomendei chegou esta semana à minha caixa de correio. Chegou, simplesmente. O carteiro (que ainda não me deu o troco relativo a outra encomenda!) não chamou para receber o pagamento, não deixou o aviso para levantar nos Correios, simplesmente deixou o livro. Quando abri o envelope, não havia qualquer nota de cobrança ou factura com dados para pagamento. O que fariam nesta situação? A maioria das pessoas a quem contei isto foi unânime: deixar-me ficar sossegado, podia ser que ninguém dissesse nada. Contra toda a lógica, decidi enviar um email a expôr a situação, sabendo de antemão que, como suposto, teria de pagar o livro. Surpresa das surpresas, a minha atitude arcaica (a honestidade é tão século passado!) fez com que o livro me fosse oferecido (o lapso foi reconhecido, mas o que contou mesmo foi ter procedido correctamente).
A vida ainda não corre exactamente como quero (já nem digo como planeio, porque é uma pura perda de tempo), mas pequenos acontecimentos como estes sempre me fazem levantar da cama, daí que mereçam ficar registados.
\nem tudo pode ser perfeito: dói-me um dente/