.tropeções, borlas e dores de dentes

29 11 2007

Um dos problemas de pensar demasiado (quem somos, para onde vamos e coisas do género) é, vai não vai, ser assolado por sentimentos de desânimo quando me apercebo que o mundo em que todos temos que viver é uma autêntica trampa (ia dizer merda, mas achei que não ficava bem num blog respeitável como este). No entanto, por vezes tenho o privilégio de presenciar em primeira mão acontecimentos que me elevam o ânimo, e restauram, ainda que numa base temporária, a minha fé na humanidade.

Acontecimento nº 1: fui a uma entrevista esta semana, ficando depois a saber que, mesmo estando o lugar ocupado, o entrevistador quis dispensar tempo a todas as pessoas que concorreram, para conhecer o seu percurso pessoal e profissional. Não sei como foi com os restantes candidatos, mas a mim foi-me dada uma saudável crítica ao portfolio e imensas dicas para me ajudar a entrar no competitivo mundo da comunicação.

Acontecimento nº 2: não sei se já deixei escapar por estas andanças (e isto é, definitivamente,um acto vergonhoso de marketing pessoal), mas actualmente trabalho como freelancer, acumulando as funções de designer gráfico e gestor de conteúdos de websites (as pessoas que devemos respeitar pelo esforço de inserirem o que realmente torna um site útil!). Hoje, graças ao meu primeiro (e até à data, único) cliente, consegui dar o primeiro passo na expansão da minha carteira de clientes – como previsto nos meus planos, daqui até ao domínio mundial já só faltam mais uns degraus.
[Cliente nº 1: usando a analogia do C., vocês continuam a ser as grávidas na caixa prioritária]
[Possíveis clientes: não se acanhem!]

Acontecimento nº 3: ultimamente tenho comprado livros pela net e, regra geral, limito-me a editoras portuguesas que enviem as obras à cobrança, pois neste momento não pretendo (nem posso) arcar com os custos associados a um cartão de crédito. O último livro que encomendei chegou esta semana à minha caixa de correio. Chegou, simplesmente. O carteiro (que ainda não me deu o troco relativo a outra encomenda!) não chamou para receber o pagamento, não deixou o aviso para levantar nos Correios, simplesmente deixou o livro. Quando abri o envelope, não havia qualquer nota de cobrança ou factura com dados para pagamento. O que fariam nesta situação? A maioria das pessoas a quem contei isto foi unânime: deixar-me ficar sossegado, podia ser que ninguém dissesse nada. Contra toda a lógica, decidi enviar um email a expôr a situação, sabendo de antemão que, como suposto, teria de pagar o livro. Surpresa das surpresas, a minha atitude arcaica (a honestidade é tão século passado!) fez com que o livro me fosse oferecido (o lapso foi reconhecido, mas o que contou mesmo foi ter procedido correctamente).

A vida ainda não corre exactamente como quero (já nem digo como planeio, porque é uma pura perda de tempo), mas pequenos acontecimentos como estes sempre me fazem levantar da cama, daí que mereçam ficar registados.

\nem tudo pode ser perfeito: dói-me um dente/





.as crianças são o futuro da nação, tenham medo, tenham muito medo

27 11 2007

O eskisito fala-nos das dificuldades sentidas ao ensinar a umas quantas alminhas tenras um exercício (em princípio simples), do silêncio, do desânimo que é ensinar em Portugal. Já li e já comentei. Mas a ideia não ficou arrumada. Quando se discute o estado do ensino em Portugal, a palavra culpa está sempre presente. E a culpa é tipo batata quente: os professores passam aos pais, os pais aos professores, os professores ao Ministério, o Ministério aos pais, e por aí fora. Normalmente, só os alunos ficam isentos de queimaduras. Como é comum na resolução de um problema complexo, decidi separá-lo em componentes mais simples, considerando o papel que as variáveis professor, aluno, pais e Ministério têm no resultado final da equação ensino.
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.tagus, cartazes e cambalhotas publicitárias

27 11 2007

Encerrando a “polémica” Tagus. Rapidez é a melhor palavra para descrever a tão falada (pelo menos, no maravilhoso mundo que é a blogoesfera) campanha: surgiu, deu que falar e puf! desapareceu tipo Chocapic ao contrário. A rede social que prometia revolucionar já está activa (pelo menos aceita pré-registo), e orgulho hetero só no endereço, não sei se era suposto aparecer alguma coisa no site. No site oficial da marca, somos brindados com pérolas de campanhas anteriores (tipo cerveja é coisa de menina e afins). Alguns consideram as reacções exageradas, e típicas de lobbys e minorias que aprenderam que têm voz. Como, teoricamente, vivemos em democracia, considerei muito saudável esta troca de opiniões, se bem que tenho que concordar que houve algum exagero, quase a roçar o fundamentalismo, tanto dos que estavam contra, como a favor da campanha.

No que me diz respeito, como bom adepto das teorias da conspiração, mantenho que isto não foi mais do que um sinal claro de falta de visão estratégica: tentou-se agradar à maioria, descartando descaradamente todos os que não se enquadrassem no público-alvo da campanha. Ao que se juntou uma valente dose de cobardia, reveladora do deserto ideológico que é a mentalidade empresarial portuguesa onde, na grande maioria dos casos (e sim, estou a generalizar, é feio, eu sei, processem-me a ver se me ralo!), não se têm em conta conceitos simples como planeamento a médio/longo prazo e/ou (preferencialmente e) relação causa/efeito. Ah, e antes de qualquer investida mais furiosa de um guru, ou pseudo-guru da publicidade/marketing/gestão, eu não estou a escrever isto de forma leviana, bastava um simples exercício de análise de risco para ver que isto ia dar barraca.

Continuando com a publicidade, e pegando de novo na Dolce&Gabbana. No Scoobie Imagination, somos brindados com os novos spots aos relógios D&G [link]. Há a versão para a menina e para o menino. Nada de muito extraordinário, continuo a preferir os anúncios para impressão, mas vamos ver quando é que começam os apupos relativamente aos beijinhos inocentes no final.

Ponto da situação: ideia # 01: Publicidade arrumada.