Páro e escuto? O quê ou quem, não me recordo, são vozes que me sussurram ao ouvido e não consigo distinguir. Falam-me de um passado que não conheço, será uma vida que vivi em tempos? Serei eu nestas imagens que desfilam à frente dos meus olhos, fragmentos de alguém que não consigo identificar? Serão minhas as palavras que não me recordo ter pronunciado?
Há dias assim, em que não sei se vivo ou deixo viver, se existo ou faço por existir. Talvez seja da chuva que me deixa melancólico ou do frio que me faz preguiçoso. Talvez seja apenas eu, que sou assim porque nunca me ensinaram a ser de outra forma. Há dias assim, em que a pele que visto não parece ser minha, talvez a tenha pedido emprestada por momentos, para ver se servia, se assentava bem num corpo que pode nem ser meu. Eu posso ser outro, sentado num banco de jardim num dia frio de Outono, que vê as árvores pintadas de vermelho e amarelo, de cuja face escorrem gotas de chuva em forma de lágrima, que se limita a deixar a vida passar à frente de dois olhos secos por não se lembrarem do que é sentir.
Nunca tive oportunidade de dizer adeus. Um dia, talvez o faça. Ou não.
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