.amor

Amor. Queremos, negamos, ignoramos, devoramos a alma e a sola dos sapatos, segue em maratona, um atrás do outro, ao lado, fica para trás, olha e parou, segue em frente e dá a mão. Amor. Copo meio cheio ou meio vazio, tinto, branco, verde, rosa, incolor, com gelo e menta, palhinha e chapéu a condizer. Amor. Pimba, chique, retro, vintage, à maneira antiga com bilhetes no cesto e tias de olhar atento a tiracolo, zeros e uns, mentira atrás de mentira, numa vírgula há esperança que seja mais que uma foda recheada de boas intenções, fecha-se a porta com cadeado e a janela com argamassa, no escuro queimam-se os pulmões e derrete-se o fígado, gostaria de ver o pôr-do-sol num alpendre de madeira que desvanece. Amor. Vestem-se de branco os cumes vigilantes, perdi-me e encontrei-te sem precisar de mais direcções, talvez o destino não seja mais que um sentido proibido bem posicionado, não me voltei a perder excepto quando saímos sem rumo e te deixo dormitar sob o sol frio que espreita envergonhado pelas nuvens pesarosas.

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