.sexo, cerveja e fantasmas

Este mês tenho-me desleixado um pouco, ando tão ocupado a salvar o mundo que me esqueço que existe vida para além do Baldur’s Gate – que é como quem diz, estou a jogar compulsivamente um dos rpgs mais complexos alguma vez produzidos. Claro que isso não é desculpa, mas também tenho tido, felizmente, algum trabalho este mês. Juntando isto tudo às milhentas tarefas semanais auto-impostas (necessárias para manter a sanidade mental), quando dou por mim já passou mais uma semana e o blog continua por actualizar. Hoje é dia de redenção, e chegaram as tão merecidas actualizações!

Em A Origem das Espécies, FJV dá-nos a conhecer mais uma pérola da realidade norte-americana: meninos e meninas que são acusados, processados e condenados por assédio sexual – sim leram bem, estamos mesmo a falar de crianças. Aposto que as partes acusatórias leram demasiados livros de Freud, que nesta altura deve estar todo contente a dizer “eu bem vos avisei, ah ah ah!”. Ainda no mesmo blog, FJV aconselha-nos (e bem!) a nunca subestimar o poder de um grupo de pessoas estúpidas, e fala-nos do burburinho criado pela nova campanha da Tagus.

O primeiro round já a Tagus ganhou – ou pelo menos a equipa de criativos que idealizou a campanha. O anúncio deu que falar, e o conceito de “Orgulho hetero” já começou a despertar as incendiadas opiniões dos militantes dos direitos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) [link01 link02]

Esta técnica de reconhecimento da marca pela criação de polémica, e inevitável debate, nunca dá grandes resultados, principalmente quando se “ataca” de forma evidente estilos de vida alternativos – e não, não vou colocar aqui minorias, porque acho que é uma palavra horrorosa e redutora. Há uns tempos atrás (penso que no início deste ano), a Dolce&Gabbana criou uma série de anúncios que foram rotulados de sexistas, anti-católicos e outros disparates afins. Vejam o anúncio que despertou a ira das feministas (e não só), que consideravam que este tinha subjacente uma ideia de violação.

Comparem com os anúncios da nova campanha, e utilizem o mesmo raciocínio redutor. Qual a primeira ideia que vem à cabeça? Exploração masculina que, não sendo um tema mediático, não gera polémica. Opinião pessoal? Idiotice pura. Vi todos os anúncios da campanha anterior, e nunca os achei polémicos o suficiente para merecerem as reacções que tiveram. As fotografias são de uma plasticidade fenomenal, e é verdade que contêm uma tremenda carga erótica, mas será isso motivo para se acenderem os archotes da censura?

A publicidade visa o reconhecimento de um produto/marca, e serve-se de todas as armas possíveis. No caso da Tagus, não vejo nada de muito fenomenal, para além de uma grande dose de insensibilidade e mau-gosto. A campanha visa associar o tal conceito de “Orgulho Hetero” a uma comunidade online (cujo link não funciona!), o que é uma jogada bastante ambiciosa, uma vez que a criação e detenção de uma rede social é um negócio bastante lucrativo. E partirem do princípio que todos os utilizadores registados são, efectivamente, heterosexuais! Já para não falar do risco que é associar uma marca a algo tão relativo como a orientação sexual – se queriam polémica podiam ter ido mais longe, raça e religião funcionam sempre.

Nestas alturas, tenho de dar razão à minha irmã mais nova, que se farta de reclamar dos anúncios da Netcabo, com as Mariazinhas e Teresinhas e afins, e que considera ofensivo utilizarem umas raparigas jeitosas para publicitar um serviço que não é exclusivo do público masculino. No final disto tudo, os publicitários esfregam as mãos contentes com o “buzz”, e quem se lixa é a Tagus, que lá terá que dar a volta à polémica, com uma estratégia que mostre que afinal eles são política e socialmente correctos – podem sempre aceitar a sugestão dada pelo boss, no renas e veados, de patrocionarem e comparecerem numa próxima marcha do Orgulho LGBT.

\no creativebits, é-nos apresentado um logotipo criado para a CIA, que representa a luta contra o terrorismo, brilhantemente concebido para que os norte-americanos, junkies televisivos, recebam a mensagem subliminar: os terroristas são como os fantasmas, todos temos medo deles, mas ninguém têm provas de que eles existam – eu acrescentava umas armas de destruição maciça, para complementar o conceito sobrenatural/

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s