.prime time

Devo admitir que fico sempre muito desapontado quando o começa um novo ano. Tenho sempre aquela esperança que no fim da 12ª badalada (ou qualquer coisa mais hi-tech), puf, magia e voilá, melhorias instantâneas na minha vida. Sem listas de resoluções ou esperas. Claro que todos os anos se repete a desilusão, afinal ficou tudo na mesma, e ainda não foi desta que senti aquele arrepio histérico que consome o mundo com a mudança de ano – se calhar preciso de acreditar mais, ou coisa do género.

Cinismo à parte, a verdade é que em 2008 alguma coisa vai mesmo mudar na minha vida. Vou ser operado ao ouvido, e resolver de uma vez por todas um problema que tenho há mais de dez anos. Pode não resolver tudo, mas pelo menos, espero, irá melhorar a minha qualidade de vida – quem sabe se não é este ano que volto finalmente a dar um mergulho no mar? No campo profissional mantém-se tudo na mesma, continuo a trabalhar como freelancer, mas deixo aqui a dica para possíveis empregadores: não estou a ficar mais novo.

Num contexto mais alargado, a grande novidade de 2008 é mesmo a proibição de fumar em locais fechados. A coisa podia ter sido feita de forma a agradar a fumadores e não-fumadores. Mas estamos em Portugal, e se as directivas europeias dizem que o tabaco deve ser proibido, então proibido será, sem dó nem piedade. É tramado ir beber um café e não poder fumar um cigarro. É triste ver o desânimo de certos donos de cafés e restaurantes, a quem não foi concedido o direito de escolha. O ar está mais limpo, isso é certo, mas a minha questão é: o que se segue? A música, o carro, os parceiros sexuais, os livros, as séries, os filmes, o número de banhos? Dou os meus parabéns para todos os que se congratulam por viver nesta era anti-séptica e legislada. Espero ansiosamente pelo dia em que não seremos mais do que autómatos comandados pela sabedoria de quem governa.
\fica já registado que se isso acontecer, eu continuo a querer ser como o Marvin/

Por falar em proibições, um saltinho até França. Mas primeiro, uma imagem para ilustrar (aconselho os mais conservadores a fazer scroll muito depressa).

O cartaz faz parte de uma campanha institucional contra a propagação do vírus da SIDA, e foi censurado pela APPR (Associação de Profissionais por uma Publicidade Responsável) – ver mais aqui. Não percebo, a sério. OK, temos dois meninos nús em poses menos próprias. Tudo bem, continuamos a ser falsamente modernos e liberais. Aceitável. Mas será que, face a um dos maiores flagelos dos últimos anos, não será conveniente colocar de lado pudores e preconceitos? A SIDA, como tantas outras doenças, é suficientemente democrática para não se interessar por opções sexuais. O que é feito do slogan “Não acontece só aos outros”? Serão os homosexuais tão insignificantes que não mereçam que os alertem para os riscos que correm? Se fosse um casal hetero, a reacção seria a mesma? Provavelmente não. A campanha inclui ainda um vídeo, onde o apelo é dado a todos os que decidam ter relações, homo ou hetero, num saudável espírito informacional e não discriminatório. Supostamente passa na televisão francesa em horário nobre, pelo menos até alguém decidir que apenas é conveniente ver meninos a dar beijinhos em meninas. E até há quem diga que a campanha só é censurada devido ao seu carácter hipersexual (?) [ainda estou à espera que alguém me explique isto…].

Por falar em sexualidade, no Público foi notícia um estudo que relaciona o álcool como factor de alteração das preferências sexuais. Tudo bem, é aplicado a moscas-da-fruta, mas fica aqui o aviso para o macho latino que tem horror a bichezas: se quiser ir para a cama com uma mulher, não beba.

Para terminar o primeiro post do ano, a minha única resolução de ano novo: melhorar o meu sistema de gestão pessoal. Apesar de ser minimamente organizado, também sou vítima de ataques de ansiedade motivados por secretárias a abarrotar de material para arrumar, notas soltas por todo o lado, trabalho que se acumula, listas de tarefas que nunca mais acabam e coisas do género. Os primeiros passos já foram dados: decidi seguir o método proposto por David Allen, no livro “Getting Things Done – The Art of Stress-Free Productivity” (Penguin Books, 2001). Estou quase a terminar o livro, e recomendo vivamente. O sistema GTD é bastante simples, e não implicou, pelo menos até agora, mudanças drásticas na minha organização pessoal: como já tinha o hábito de fazer listas para tudo e mais alguma coisa, a grande melhoria é que agora elas passam a estar contextualizadas. Para quem se sente constantemente perdido, ou para os que, como eu, estão sempre dispostos a tentar melhorar o uso que fazemos do pouco tempo que temos, sugiro que se vão mantendo atentos, pois assim que possa começarei uma série de posts relacionados com produtividade e gestão pessoal.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s