.volts estatísticos

Das muitas utilizações para um gadget que combina música e choques eléctricos, porque não umas belas descargas no traseiro de quem continua a não admitir que os números relativos ao desemprego são, no mínimo, um belo balde de areia lançado para os olhos dos portugueses?

Bagão Félix, ex-ministro das Finanças, decidiu lançar uma série de acusações ao Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, afirmando que os números relativos ao desemprego são manipulados. A sério? Disparate, internem o senhor na ala psiquiátrica do hospital mais próximo (onde, já agora, é permitido fumar!). O Governo não comenta, e faz muito bem. Quem cala, consente.

Citando o artigo do Expresso:
De acordo com o independente próximo do CDS-PP, são feitas “habilidades como o programa Novas Oportunidades e outras coisas que transformam pseudo-desempregados em pseudo-empregados” e tornam “cada vez maior” a disparidade entre os números do IEFP e os do Instituto Nacional de Estatística (INE).

A ausência de comentários é facilmente explicada, se tivermos em conta que Bagão Félix está totalmente certo. Quando estava desempregado, fui “enfiado” numa acção de formação promovida pelo Centro de Emprego da minha área de residência. Uma colega de formação quis candidatar-se a um programa de estágios (INOV Jovem, se a memória não me falha), e tal não foi possível, pois os meses em que esteve em formação não foram contabilizados como situação de desemprego – continuava a constar das bases de dados do IEFP, mas aparentemente, na óptica de quem inventa estas estratégias fenomenais de combate ao desemprego, quem está em formação não está desempregado. Bastante interessante, quando acabou a formação os números do desemprego voltaram a subir, o que pode ser uma feliz coincidência, ou significar apenas que as centenas de formações agendadas acabaram todas mais ou menos ao mesmo tempo.

Com isto, cala-se a opinião pública: o desemprego desce, quem é colocado em formação até aprende umas coisas e ainda recebe uns trocos. Não ficamos todos felizes, o desempregado continua desempregado, mas desde que o resto do mundo pense que por aqui as coisas até vão bem, nada mais interessa, certo?

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