.indignações estéticas

Já tinha feito anteriormente um comentário às novas tendências do mundo da arte (ver aqui) onde, aparentemente, o que anda a dar é arranjar maneira de explorar a morte como elemento criativo. Se um decide matar animais, porque não poderá outro fazer o mesmo com seres humanos? Ao que parece, deve ser isso que pensa Gregor Schneider, artista plástico alemão que propõe nada mais, nada menos, do que expor um doente terminal que esteja disposto a morrer lentamente numa galeria de arte.

“O artista defende a sua ideia com o argumento de que tornar a morte pública pode contribuir para amenizar o medo do momento final da vida.” [in Expresso]

O conceito tem a sua validade: a morte, nossa e dos que nos são queridos, é inevitável. É a única certeza que temos durante a vida: nascemos para morrer. O que não implica que não o façamos de forma digna e, sinceramente, não me parece que alguém que olha para o calendário em contagem decrescente, o consiga fazer rodeado de estranhos sedentos de emoções artísticas e orgasmos conceptuais. Correndo o risco de me tornar repetitivo, volto a perguntar: se, no meio disto tudo, o objectivo é ajudar os incultos e ignorantes a tomar consciência dos factos terríveis da vida, porque é que o artista, tão preocupado com o vazio intelectual que nos afecta a todos, não se fecha numa redoma e definha lentamente até ver a luz?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s