.os três macacos

O tempo, conceito tão recorrente no meu vocabulário, passa a correr. Ainda não me tinha refeito dos efeitos nefastos de Setembro, com a sua nostalgia, com as crises existenciais geradas nem sei muito bem por quê, ou quem, quando me apercebo que já estamos a meio de Outubro.

Estava a começar a habituar-me à sensação de fazer por fazer, fazer para não pensar, fazer para não parar, quando, sem me dar conta, tudo mudou outra vez. Voltei a ser mais uma peça em movimento. O tempo, esse, continua a passar. Mas agora olho-o de frente, o meu e o dos outros, não o tento controlar, por saber que não é possível. Analiso, adapto e disseco. Uma hora tem de encaixar com outra, como peças de um puzzle que nos revelam a imagem de uma paisagem que nunca vimos. Conto os minutos como se fossem tostões para pagar um café. Satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta.

Páro e escuto, o que os outros me dizem, o que eles dizem aos outros, o som da minha respiração, a música que sai das colunas do carro enquanto estou parado numa fila sem fim, as palavras que flutuam no vazio porque ninguém se importa com elas. Um dia, as palavras revoltam-se e decidem fazer greve, juntando-se todas numa ilha no meio do Pacífico, escondida do mundo e do orgulho.

Se um surdo fala para um mudo, o que verá um cego?

_imagem retirada de Post Secrets

One thought on “.os três macacos

  1. Muita paixão, muita raiva! Vamos pondo para fora, pondo para dentro, mas a informação circula, as palavras vão sendo resgatadas por alguns ouvintes, leitores! Vamos estando do lado de cá, observando o daí, vamos estando daí para os de cá. Brincamos com palavras, significados, sons, intenções, origens, como quem brinca… com a cauda de um leão! No entanto, ousamos palavrear coisas de dentro, de fora, do meu mundo, do teu mundo, e ninguém… Ninguém tem de perceber, ler, ouvir, nada! Sai-nos do corpo!
    Fiquei muito emocionada com este texto. Deu-me estrada para milhares de linhas! Obrigada!
    Grande abraço
    M.

    Deste lado, vamos vendo a água vir e ir, constantemente. Vêmo-la de baixo; somos as pedras!

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