.o nevoeiro

Deixei de ter medo de ser quem sou, revelo-me lentamente ao mundo. Procuro reflexos do meu corpo em almas distantes de traços distintos, ténues como o nevoeiro que se desvanece com o calor da manhã. O silêncio da noite observa acolhedor a caçada que começa, em trilhos escondidos pelo breu da ignorância. Numa clareira perdida, a presa refastela-se com predadores incautos, pela astúcia de quem já nasceu velho.

Podíamos ter sido um em tempos. Sou atraiçoado por memórias que teimam em não partir, por temerem o triste destino do vazio, receptáculo de emoções desprovidas de sentimentos.

É quando o sol desce no horizonte que se revelam as verdades, baixamos os olhos na vergonha silenciosa, que nos permite ser perecíveis sem sabermos bem porque paramos de tentar saber mais sobre a necessidade de nos envolvermos. Sussurras no meu ouvido as palavras que incendeiam o coração, dormente por não bater durante tantos anos.

É da violência que nasce o grito criativo de emoções trancadas a sete chaves, num baú de cristal tão transparente como os teus olhos cor da terra, que se desviam dos meus pelo medo de desapontar quem não se dá a conhecer. As conversas sucedem-se sem parar.

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