.uivos

Sinto-a cada vez mais perto de mim, tormenta silenciosa que se avizinhava no horizonte, sorrateira, discreta, pronta a explodir no momento em que menos esperasse. Fui ingénuo, bem sei, já devia ter desconfiado há mais tempo de toda a calma aparente que me rodeava. Quantas vezes, pergunto a mim mesmo, não passei já por isto?

O vento uiva à minha janela, espera apenas o mais leve dos descuidos.

Magoo os pés nos trilhos grosseiros que percorro, esfolo os joelhos e os cotovelos em quedas imprevistas, sinto a frustração escorrer em lágrimas que me queimam as maçãs do rosto. Observa-me ao longe, sorrindo vitoriosa, sabendo que me irá fustigar mais uma vez. A resistência diminui, lentamente, enquanto sombras famintas começam a apoderar-se dos pequenos fragmentos que são as minhas memórias. Há dias em que apenas quero esquecer quem sou e voltar ao mundo como um caderno em branco, pronto a ser preenchido com novas aventuras.

Dizes-me que as rosas mais belas têm sempre espinhos. Até as que se sentem lentamente a definhar?

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