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Na televisão desfilam imagens de outros tempos; a pergunta, pertinente, é feita alto e bom som exalada de pulmões habituados a não serem ignorados.

Piscam luzes num aparelho que sofre com o mau tempo, enquanto espero por uma confirmação; lá fora, quatro pessoas rodeiam um carro que espera o néctar amargo que lhe dará forças para andar. Aguardo em silêncio. Inspiro, calmamente, prestando atenção à minha respiração controlada, ao som abafado que rasga o vazio. Lá fora, passam carros apressados que seguem o seu percurso sem notarem a minha presença.

Não existo mais sem ser nos sonhos de quem detém a pena que manuscreve os meus registos.

Longe de mim, a cidade pulsa com as pequenas vidas que a alimentam: um rapaz brinca com uma bola, uma senhora limpa os degraus de uma clínica, um casal de namorados corre pela rua, um homem grita palavras que não consigo distinguir. O mundo continua a girar mesmo quando estou parado. Espero. Inspiro. Expiro. Escrevo. A espera termina.

Na minha mente desfilam palavras e imagens, do que já foi, do que é, do que poderá ser. Tomo decisões a cumprir no ano que se avizinha, antes que seja tarde de mais e deixe de conhecer a pessoa que habita o meu corpo. O tempo que não é tempo mas também não é existência dita regras que não compreendo, não trocamos despedidas como já fizemos anteriormente. Não sei se mergulhamos no vazio ou andamos à procura da luz ao fundo do túnel. Espero. Inspiro. Escrevo. Presto atenção enquanto espero…

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