.um adeus que nunca será um até já

Todos sabemos que a vida é curta mas teimamos em não o aceitar. O tempo, esse, e também o sabemos, não espera por ninguém, os minutos deixam de ser minutos antes mesmo de terem tempo para se aperceberem que existem. Combinámos uma vez que iríamos jantar, falar, rir. A oportunidade passou porque há sempre alguma coisa que impede, marcamos para outro dia, ligo-te, está bem. Só quando já é tarde é que percebemos que esse dia não chegará.

Acreditaste em mim, um dia, mais que eu em mim mesmo, viste um potencial que não reconhecia, uma força num olhar que se estava a apagar. A vida, essa, era discutida de forma acesa e apaixonada, por não saberes ser de outra forma, por não saberes vivê-la sem a intensidade que lhe devemos dar, com os defeitos e virtudes que a tua humanidade te conferiu.

A tua luz apagou-se repentinamente e talvez por isso custe tanto, a mim e a todos aqueles cujos caminhos se cruzaram com o teu. Não voltarei a ouvir-te falar dos teus projectos para tornar o mundo melhor, as tuas frases mirabolantes, chamares-me “o meu mái velho” porque um dia acharam que tinhas idade suficiente para ser meu pai. Talvez tenham razão e do alto nos estejas a observar, ou não, do pó vieste e ao pó retornas, mas as memórias que guardo irão perdurar mesmo quando eu próprio já tiver partido. Na camisola, o pin com o Kafka testemunha a atenção que deste aos pequenos pormenores, em filme, zeros e uns ficam registadas as tuas imagens.

Adeus, Edu, se o descanso for o fim que nos espera, que o teu seja eterno; se houver uma nova vida para além desta, que nos voltemos a encontrar.

{08/09/1973 ~ 13/01/2010}

One thought on “.um adeus que nunca será um até já

  1. No meio de tanta tristeza, é lindo poder confirmar coisas tão bonitas e tão acertadas que um dia ele te disse!
    A melhor forma de o homenagear é recordarmos todos os dias, a maneira alegre como ele levava o dia-a-dia… as piadas fantásticas que do nada ele dizia… o sorriso contagiante que era caracterizador daquela cara!
    O Eduardo não foi, mas é e continuará a ser SEMPRE aquela pessoa que vivia e fazia com que os outros vivessem!

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