.faíscas

Oiço um tique-taque que marca o ritmo dos minutos e me obriga a manter os olhos abertos. Hoje falávamos de sonhos e apercebi-me que raramente me lembro dos meus, talvez por não conseguir recordar a última vez em que acreditei neles. Dissipam-se as ilusões pouco a pouco, como se fossem farrapos cortados pelo vento impiedoso que se levanta, fora das paredes que me protegem das sombras. Esquecerei, um dia, que sonhei com algo mais que um breve momento, agraciado pelas sombras que brincavam no reflexo de um cabelo sem cor.

Há uma ansiedade disfarçada no tom calmo com que acedo a ir, mais uma vez, ao encontro de uma luz que ainda me guia. Ténue. Envergonhada. Pronta para se extinguir. Não é a força das cordas que impede as nossas almas de mergulharem no vazio. Nada mais que uma carcaça seremos um dia e mesmo assim teimamos em permanecer imóveis, sem reacção, à espera que uma simples faísca aqueça o azul profundo de um olhar.

A espera é lenta mas necessária.

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