.do outro lado da linha

Quando estamos a falar com um surdo não adianta que o volume da voz esteja no máximo. Passo tanto tempo a ouvir os outros que me esqueço do som da minha própria voz; terá sido por engano que este guião me foi atribuído? Só existo quando vejo o meu reflexo nas poças de água lamacentas, que secaram por falta de lágrimas de crocodilos transformados em sapatos de luxo.

As ideias explodem como pipocas queimadas, numa taça de barro decorada com gemas de ovo, secas pela indiferença de um tempo que só passa uma vez. Basta abrir uma brecha para o caos voar, com asas de caramelo que se colam na face dos gulosos indiferentes às dificuldades em ver uma tempestade de areia vermelha.

Sabias que a poeira estelar entope o nariz dos meninos que não pagam o gelado de morango decorado com frutas podres?

2 thoughts on “.do outro lado da linha

  1. Foi para mim uma alegria verificar que continuas vivo. E que continuas a brindar-nos com textos surpreendentes pela qualidade da sua prosa poética.
    É bonito ver como se faz poesia das coisas vulgares da vida. E é bonito ver como na escrita se espelha a beleza interior duma pessoa.
    Um abraço.

  2. Olá Renato, sim, continuo vivo😉, apesar de terem havido algumas mudanças (boas!) na minha vida que me têm levado a passar a existir cada vez mais no mundo real, e menos no virtual. Obrigado pelo comentário, é bom saber que existe sempre quem esteja atento às palavras que lanço no vazio.
    Abraço

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