.mudez

Deixei para trás a objectiva e o papel, sento-me, carrego o essencial para apenas estar. O vento brinca com os cigarros por fazer, sinto o frio que sobe pela perna, nos meus ouvidos a batida e a voz e os sintetizadores embalam a cidade e os corpos numa banda sonora escolhida por mim. Por momentos, o mundo pára e apenas volta a girar quando as minhas pestanas, escondidas por lentes escuras, batem silenciosamente.

Alguém escreve algures que já não dói mais. Hoje, pelo menos. Amanhã, quem sabe, a ferida abre de novo. Será que interessa? Escolho não olhar em frente, deixo-me estar a bater sem parar num espelho que não tem som, quantas vezes mais sonharei com reflexos que não voltarei a ver?

Em mim, encerram-se as certezas que as nuvens apenas são castelos enquanto a fantasia embacia o olhar, extasiado pelo faz de conta que nunca dura para sempre. O azul da manhã será fogo e, pouco depois, as sombras saem das tocas para semear o medo nos corações que deixarão de bater.

Perdi o momento por não estar preparado para o tornar eterno.

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