.a chave

Saio para respirar o ar gélido da manhã, sem saber aonde quero chegar. São mecânicos os movimentos, a um pé segue-se o outro, as mãos escondem-se nos bolsos do casaco que em tempos foi vida, sangue quente a circular em veias e artérias, água condensada em suspiros suplicantes, a dor cega a razão e elimina a esperança de um novo amanhecer.

A fé move a multidão que deixo para trás, o passo é apressado, as emoções escondem-se atrás de uma máscara que percorre vidros preenchidos por faces cristalizadas em vidro e acrílico e tinta, que guiam corações temerosos iluminados pela esperança quente da cera que derrete. São tantos os rostos anónimos que baixam os olhos em preces silenciosas, acompanhadas pelo eco de vozes gravadas em criptas que tentam roubar a minha atenção da electrónica que anestesia os meus tímpanos, um dia serei cego, surdo e mudo, coberto por terra ou lançado ao mar, não que importe, não somos mais que argila moldada por mãos hábeis, cacos imperfeitos e frágeis, colados com cuspo e súor e lágrimas.

Chegou a hora de seguir em frente, preparo-me, lentamente, para rodar o trinco do portão fechado, sem saber o que me espera do outro lado.

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