.violência simbólica

Dividimos a nossa perfeição em pouco mais que fragmentos de um todo que deixou de existir. Pela janela observo o silêncio das vidas alheias, inertes, anestesiadas, sem tempo para sentir o cheiro das flores que abrem as suas pétalas para os primeiros raios de sol. Orientada pelo ranger de engrenagens ruidosas de máquinas imperfeitas, a carne transforma-se em aço e o sangue torna-se ferrugem.

Já não perdemos tempo a ler o tempo. Já não temos paciência para recordar os nossos próprios prazeres. Já não temos direito de existir, consumidos pela ânsia de chegar a destinos desconhecidos, munidos de máquinas fotográficas ruidosas, bip bip bip, a imagem torna-se zeros e uns e partilha espaço com as músicas da nossa vida, tivessem tido a oportunidade de permanecer por mais que dois segundos nas nossas mentes poluídas pelo excesso de informação.

Se conseguíssemos ocupar, em simultâneo, o mesmo tempo e o mesmo espaço seríamos verdadeiramente iguais, dois pontos perdidos no espaço transportando os argumentos que contam as nossas histórias.

Os lamentos dos mortos não chegam para encher o copo. Sem aviso prévio, sou assolado pela melancolia das incertezas de um futuro que ainda não chegou a ser, irrito-me com o presente e todas as suas possibilidades.

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