.fragmentos #2

Serei um demónio que apenas te quer tentar ou a resposta é mesmo simples? Continuas aí e não conheço a razão, porque tornas tão difíceis as coisas? Mais baunilha nem no gelado, não desapareças, tenho receio de te assustar com a minha sinceridade mas pelo menos sabes com o que podes contar, não devia sentir saudades tuas mas sou atormentado por memórias sensoriais. Há alturas em que as nossas palavras deixam de fazer sentido, explica-me as tuas dúvidas, decide o que queres fazer comigo. Sai de casa, faz-te bem, lê e dá-me a tua opinião, não sabes ou preferes não dizer, é que a diferença ainda é grande. Cartas na mesa. Todos os momentos são importantes. Está tanto frio e estás longe, relembro o teu corpo sedento do meu calor. Na televisão uma pastora que queria ir para as forças armadas baptizou de Galinha uma ovelha.

As palavras que te escrevo nascem de flutuantes pensamentos que pairam na minha mente, porque me torturas desta forma? Eu já era especial antes de te conhecido. Não consigo deixar de pensar nas tuas mãos a percorrerem o meu corpo nu enquanto a tua boca amacia o meu pescoço, custa-me tanto quando temos de nos separar, seria tão bom que me acordasses com um beijo. É da minha condição de escritor que nasce o drama das frases que se libertam na folha em branco. Nada para acrescentar num ecrã que se ilumina, foge, salva a tua vida antes que a tua alma esteja condenada, espera, tarde demais. O sono não me dá tréguas, não consigo manter os olhos abertos. Estou à espera que me roubem sangue, rodeado por bichos com muitas patas. Vou ficar no sofá a direccionar o mau humor à TV e às ratazanas. Gosto de te ver animado com a dor e ruim para com a vida e com os outros, deixa sair o rancor, quase que me engasgava a inspirar beleza. Não tenho intenções de te domar. Torna belo o objecto do teu amor, mesmo que não seja belo aos olhos dos outros.

One thought on “.fragmentos #2

  1. Está um vento frio, que me permite respirar. É a importância do vento, nesta altura, quando quero respirar, que me atira os olhos para as estrelas no céu que são todas! São todas, vejo a via láctea. Vejo todas as estrelas que é possível ver aqui, porque os laranjas das luzes não sufocam toda a planície. Não mais do que a planície se sufoca em si, devorando-se em pós, terras, culturas, rapinas, toda essa vastidão como a praça de Fátima, que faz demorar de um lugar ao outro. Rodo em mim mesmo. É o que sinto, rodo, rodo, ando às voltas e nunca mais chego ao fim. Ao mar. Nem a interrupção de montanhas. Só pó, ervas, árvores e gigantes que desenham círculos nos campos, para regá-los. Venho “aqui” em busca de vento, mas, por vezes, respiro mal. “Aqui” é como cá, que quando precisas mesmo de respirar, os fornos de carvão sufocam o ar de fumos pretos. Queres respirar, porque te é natural que respires, porque to exigem desde que rasgas o ventre, porque não controlas os instintos mais básicos do corpo. Mas o ar vem envenenado de informação que se te cola às carnes como uma doença auto-imune..

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