.estereofonia

last days

Encarceramos lágrimas e risos em mosaicos inorgânicos que, mesmo sem voz, gritam — para quem souber ouvir —, histórias com múltiplos desfechos. Numa imagem lêem-se sonhos e ideias, risos e rancores, projectos que nunca o foram mas que um dia, quem sabe um dia, passarão a ideia que se materializa em acção, desaparecendo da memória quando se tornarem efémeros e forem substituídos por novos projectos e ideias e acções.

Fecho as persianas, a emissão continua em três dimensões e estereofonia, sentem-se os senhores espectadores e deixem-se levar, a viagem demora muito mas sabe sempre a pouco, mantenham os olhos abertos enquanto atravessamos o vazio, coloquem a mão fora da janela e sintam, sempre sentados, o frio sideral da noite profunda. Cuidado, senhor vizinho, se a gravidade o empurra ainda se transforma em papa no passeio.

Pequenas luzes iluminam histórias alheias e distantes, borrões indefinidos em paisagens bolorentas. Oiço o barulho dos minutos, pequenas peças de dominó que marcam o compasso apressado desta máquina infernal, onde o talco da inocência se mistura com o suor das preocupações.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s