.a máquina nova

Entro e sento-me. O café é como a terra onde me encontro, estranho, rude, hostil, um reflexo perfeito dos seus habitantes, moldados pelas montanhas e pela chuva que teima em molhar a minha cabeça descoberta.

Não sei bem porque estou aqui. Disseram-me que tinha de sair e descansar. Não questionei, apenas encolhi os ombros e obedeci.

O tampo da mesa espelha as marcas do meu rosto cansado e as bolhas da água com gás, no balcão disserta-se sobre a importância de fazermos o que gostamos. É bom. É necessário. Nem sempre é possível. Nem sempre as coisas correm como gostaríamos. Desliguei por momentos e perdi o fio à meada.

Sou convidado a seguir viagem, o café fecha à hora de almoço, por vezes penso se estas coisas não acontecem apenas no meu imaginário. Sigo sem rumo, compro uma máquina nova e apenas mais tarde me apercebo que fui enganado. Nesse mesmo dia, tive a nítida sensação que naquele café fechado poderia ter encontrado o meu fim e passar a ser esquecimento, coberto por lama, folhas e cadáveres recentes.

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