.em águas de bacalhau

Gosto quando encontro pessoas com nomes do género ‘Maria do Mar’. Gosto do sentimento subtil de possessividade: a Maria é do Mar mas o Mar também é da Maria. Dois espíritos indomáveis que se acalmam numa fusão consentida. Não me foi atribuído um carácter elemental no nome: água, no sentido conceptual, tenho-a apenas graças ao signo – e, mesmo isso, não é garantia para ninguém, pois na era da desinformação não são raras as vezes em que deixamos as certezas derreterem como velas brancas temperadas com sal e pimenta. 

Um dia, talvez pergunte porque não me foi dado um segundo nome pomposo que evocasse uma superfície aquosa: Filipe do Mar parece-me muito, para além de não soar bem. Filipe do Rio ou da Ribeira poderiam ser escolhas a ponderar; mas a que, para mim, seria a hipótese mais acertada, dada a sonoridade e consequentes segundas interpretações, seria Filipe da Fossa. Com a vantagem que poderia assinar FF num pequeníssimo espaço, poupando papel e caneta. Porque, nos dias que correm, o espaço e a bagagem tornaram-se moedas de troca de crescente importância e só permanecemos se soubermos ficar num canto escuro e bafiento. 

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