.sequências verbais

Sonho com monstros que me devoram a alma, engasgando-se com os meus pecados. Dentes enormes dilaceram ilusões de felicidade terrena enquanto se exala um ar fétido, poluído pela ignorância dos pobres de espírito.

Canto amarguras que não são minhas. Sem voz, sem público que bata palmas no fim de um espectáculo que nunca começou, para abafar os gritos das ideias, arrancadas por ventos cruéis das raízes de pensamentos que nunca tiveram tempo de florescer.

Semeio esperanças na terra húmida do orvalho, debicada por pássaros ávidos de lágrimas de recém-nascidos; a respiração dos poetas, servida em flutes de barro vermelho, é bebida de um só trago enquanto se redigem epopeias numa língua morta criada por eunucos cegos pela ambição de possuir as mulheres que os rejeitaram. Parte-se o molde e, no chão, não restam mais que cacos de argila e gesso e moléculas de carbono.

Sirvo ilusões acompanhadas com uma guarnição de rosmaninho selvagem e abelhas mortas pelo perfume tóxico dos tubos de escape. Numa masmorra escondida, trancam-se, num baú de ferro e madeira, devaneios oníricos e aguarda-se, pacientemente, pela chegada de uma virgem forçada à sua condição por um complexo de culpa tão antigo como o Tempo.

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