.malas queimadas

Existem partes da minha história que serão sempre difusas e incompletas, não as renego, contam fragmentos de uma existência que se quer complicada. Procuro e não encontro.

Nos meus bolsos conto as pedras que recolhi do tempo em que era um alvo mais fácil. Sinto o instinto a apoderar-se de mim e vejo a redoma a tomar forma, a minha respiração mancha o vidro cristalino que me protege do mundo. São muitas, as histórias que presenciei. Cruzam-se na minha memória os fios de cada pedaço de Eu que trilha caminhos semelhantes.

Queria dormir uma eternidade, sem sonhos a povoar o meu descanso. Não vejo ao longe a sombra indistinta que toda a vida tentei reconhecer. Passaram-se muitos dias desde que o pó cobriu um corpo frio. Sinto-me assim, inanimado, a entrar em piloto automático. Penso nas malas que ainda tenho por desfazer, talvez as queime, um dia, quando já não precisar mais delas. Fecho os olhos e respiro, sem pressas, à espera que o Sol anuncie um novo dia.

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