.a pedra fria

Encontras-me perdido no labirinto dos meus pensamentos, o silêncio é tudo o que te ofereço para que tomes a liberdade de te sentares a uma distância confortável. O meu corpo, imóvel, está tão frio como a pedra em que me deixei ficar a olhar para o céu recortado, perguntas, sem nunca proferires uma palavra, se verei mais que nuvens coladas no céu azul ou, quem sabe (não perguntas e também não te digo), apenas o abstracto a ganhar forma, pequenas histórias que se contam pelos movimentos estudados de corpos dormentes.

Atreves-te a cruzar um olhar e, nos segundos que congelam para dar lugar a décadas, vislumbras todas as dimensões em que existo, condensadas numa pele que, por vezes, não é a minha. Deixas-te ir, simplesmente, maravilhado e estarrecido, flutuas sem corpo mas sem nunca deixares de existir, tentas respirar mas já não te lembras como, o grito que tentas soltar é abafado por um líquido que não é água, nasces e morres, tantas vezes quanto julgas ser possível, sabes que o tempo agora é pó e o teu corpo novelo, habilmente configurado em tapeçarias majestosas dignas de salões palacianos. 

O tiquetaque do relógio diz-te que o mundo voltou a ter permissão para girar, respiras, apenas para confirmar que existes novamente, um, dois, três, sentes os sentidos a reiniciar e sabes que, para me voltares a encontrar, basta seguir as pegadas que deixei marcadas na areia.

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