.irregularidades

Dançam, ao som das vozes de defuntos, que um dia foram carne e sangue e suor e cabelo, as letras indistintas. Na rua, brilham estrelas que morrem quando o clique surdo ecoa por quarteirões despidos de conteúdo. Numa mesa igual a tantas outras, irmãs do ferro frio que as pariu sem dor, repousa um pedaço de carne que um dia foi vaca a pastar em verdes prados.

Deixámos de perder tempo a interpretar o tempo. Exaustos, os ponteiros descansam um sobre o outro, meio próximos ou, para quem preferir, meio afastados. Matamos o tempo, pilhamos lentamente a sua essência, domesticando-o sem pudor: deixa de ser decorativo e passa a ser funcional.

Dois objectos, quando diferentes, não podem ocupar o mesmo tempo e o mesmo espaço. São as leis do Universo que regulam as impossibilidades imaginadas. 

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