.lápis e borracha

Deixo as palavras fluir página após página, à letra segue-se a palavra que forma a frase. Escrevo para tentar descobrir quem és tu, que te escondes na sombra das minhas memórias e a quem quero dar um nome, com medo que o descubras antes de mim. Se não te nomear, perco-te, deixas de me pertencer, outros ficarão a saber um segredo que é só nosso. Relembro-te em palavras que escondem mais do que quero dizer. Devia dar-te, além do nome, corpo e voz, para te libertar de vez, livre no mundo para poderes escolher não me pertencer.

Acorrento-te aos grilhões das ideias, sou um mestre cruel que não te dá a hipótese de ser algo mais que uma palavra perdida no éter. Um dia vou esquecer-te e, então, apenas então, poderás existir de verdade, personagem principal com direito a palco e holofote, a sala escuta, inquieta e expectante, o teu monólogo.

Gostava de ter uma borracha para te apagar. 

One thought on “.lápis e borracha

  1. É de uma proximidade, que me atira por terra!

    Estranho laço, o nosso. Somos almas, amarelas e negras. Um Sol. Estranho e forte laço.

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