.pele de cobra

Embala-me o atrito do ferro, roda que roda sem parar até destino certo. Sinto bloqueios que não se dissipam como as nuvens que pintalgam o azul do céu matinal.

Reconheço no reflexo do vidro um rosto marcado pela passividade e incerteza. De um momento para o outro, sem razão aparente, deixei de conseguir criar as histórias dos dias que passam marcadas por imagens e metáforas. Criar volta a ser um acto de dor. Talvez a culpa seja do tempo que escasseia ou da tinta que já não escorre pela ponta dos dedos.

Uma casa em ruínas, no meio dos fetos. No seu interior, o azulejo de uma santa compete pela parede com escritos juvenis marcados a navalha. Voltamos à ponte e deixamos a casa sonhar de novo com o tempo em que abrigava os seres das intempéries.

Só quem muda de pele tem liberdade para se enganar. 

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