.o homem invisível

Circulamos com 28 minutos de atraso, reforça a voz apressada na coluna oculta, enquanto o ar se enche com o cheiro de pesticidas que me traz à memória corpos em agonia lenta, escondidos do mundo por aço e cimento.

E se, de repente, o ar se enchesse de toxinas e tombássemos mortos? Ou, no fundo da carruagem, dedos suados premissem botões e sinais invisíveis, iniciando-se contagens mortíferas, chegamos ao zero e nos últimos segundos apenas pensamos no quanto queima o ar incandescente nas nossas narinas?

Desafio-me. Sinto as mudanças subtis e começo novamente a reconhecer o reflexo no vidro. Consigo aperceber-me pelo canto do olho que o mundo passa depressa. Há uma força crescente na invisibilidade, na minha indiferença aparente recolho do mundo todas as fragrâncias, sons e imagens que consigo armazenar nesta memória tão cansada. Vejo pessoas apressadas, será que estou a chegar?

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