.mudámos ou o last post por estas bandas

Mudámos de nome e formato, a identidade do autor ainda é difusa e as ideias meio dispersas, a misturada aumentou na mesma proporção da simplicidade. Estamos no Tumblr em http://filipebernardes.tumblr.com/, para quem tem conta basta seguir, para quem não tem há um botão no topo preparado para que não nos abandonem tão cedo.

.preso no labirinto

Por vezes, dou comigo a sonhar. Nunca enquanto durmo porque não me foi concedido tal dom, não adivinho o futuro nem consigo, através dos sonhos, aceder à energia criativa do meu inconsciente para, quem sabe um dia, deixar a minha marca no mundo. Os meus sonhos revestem-se de delírios e surgem nas horas em que absorvo o mundo através dos sentidos. Com eles surgem as possibilidades em linhas de tempo paralelas que criam, e destroem, universos inteiros.

Há uma recorrência nos meus sonhos, querer encontrar um molde perfeito que se encaixe no meu. Passo a passo, sinto o cansaço de procurar incessantemente e chegar sempre aos mesmos becos sem saída. Volto para trás e percorro o labirinto. Beco sem saída. Beco sem saída. Beco sem saída. Não há luz e, ao longe, sinto o arfar furioso do minotauro, faminto, incansável, tão cego como eu mas consciente do calor do meu sangue. Há alturas em que perco as forças e deixo-me ficar, consciente da morte certa que me aguarda, inerte, em pausa, a tentar lembrar-me das ladaínhas que me ensinaram em criança para confortar o espírito. Quando a besta me encontra, raiva primordial encerrada em pele e pêlo e osso, abranda o passo e deixa-se ficar, estático, expectante. Nos breves segundos em que os nossos olhares se cruzam, consigo ler uma centelha de entendimento. Percebo, finalmente. Não me é dada a escolha do vazio e do descanso eterno, teremos de lutar mas apenas quando a minha força for digna da sua grandeza. Não procura uma presa fácil, essas deixa-as morrer de fome e frio, até que a sua carne se desfaça em pó ou se apoderem das suas carcaças os outros seres que habitam as profundezas da nossa prisão.

Amanhã é apenas outra forma de descrever a inevitabilidade do nosso confronto. Fecho os olhos, consciente que, escondido atrás da parede, está a chave que procuro para voltar a sentir o calor do sol e o molhado da chuva.