.não há nada mais assustador que uma página em branco

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Uma folha em branco. O terror supremo de todos os que sentem a necessidade de criar. Será o medo da mediocridade ou a possibilidade de nos colocarem numa gaveta, devidamente etiquetada e referenciada para fácil acesso, para que mais tarde se possa ver, ler, tocar, dissecar, tirar conclusões erradas, criar interpretações sobre o que se queria dizer, o que se estava a sentir, o porquê da vírgula e do ponto final? Será medo de decepcionar os outros? Ou, talvez, o medo da decepção que sentimos quando nos apercebemos que o mundo continua a girar, mesmo que a folha continue em branco?

As horas passam e a folha continua imaculada e intocável, olhando para nós com desdém, troçando vitoriosa da nossa fraqueza.

Cada vez que pego numa caneta ou me sento à frente do computador, tenho noção da força, do poder, da pressão que exerce em mim uma folha em branco. Por isso decido que a devo enfrentar. Não serei o escravo e sim o senhor. Porque sou eu que quero, que decido, que controlo. Deixo de lado ideias pré-concebidas e preconceitos alheios. Lembro-me de todos os que me apoiam, que acreditam em mim, que querem saber o que penso ou sinto, que me dão a conhecer os seus receios, que me ajudam a encontrar as palavras certas para contar histórias que nem sempre são minhas.

O vazio também me assusta. Mas para perder o medo, tenho de lhe fazer frente.

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