.gestão pessoal


Como referi anteriormente, a única resolução de Ano Novo que estabeleci foi a de começar a escrever uma série de posts relacionados com o tema produtividade. Não que tenha a pretensão de me considerar um guru ou coisa do género, mas pensei que seria um rumo interessante para o blog. Para além das maravilhosas obras de arte digitais e pensamentos profundos acerca do quotidiano, porque não torná-lo minimamente (ou verdadeiramente) útil?

Poderão perguntar, “Então, porquê posts acerca de produtividade? Porque não culinária, ou jardinagem?”. A resposta é simples: eu gosto deste tema, e acredito que uma melhor gestão pessoal leva a um acréscimo na produtividade e eficiência, pessoal e profissionalmente, permitindo um melhor uso do recurso mais escasso que possuímos: o tempo.

A má gestão do tempo (igual para todos, menos para os que tenham pessoas que lhes façam as coisas) implica falharmos a execução de tarefas e compromissos com que nos comprometemos e, consequentemente, introduzir uma elevada carga de stress e ansiedade na nossa vida.

Normalmente, quando pretendemos melhorar a nossa gestão pessoal, vamos à procura de referências (livros, websites, …) que nos deêm algumas dicas ou, preferencialmente, a fórmula mágica que nos tornará hiper-produtivos. Muitas vezes desistimos, quando tomamos consciência de que o sistema escolhido é extremamente complexo ou rígido; no final de tudo, acabamos por nos sentir miseráveis: afinal se funcionou para a pessoa X, Y e Z, porque não para nós? Onde é que falhámos? A culpa não é nossa, nem do autor/a. Todos os sistemas de gestão propostos devem ser muito bem analisados, para que possamos retirar deles os princípios gerais que permitam a sua adaptação ao nosso estilo de vida.

Há uns anos atrás frequentei uma formação intensiva em Gestão de Empresas onde, como não poderia deixar de ser, constava o inevitável módulo de gestão do tempo. Sendo o meu primeiro contacto com tais assuntos, absorvi avidamente os conhecimentos transmitidos, e logo que pude apliquei-os fielmente. O sistema que me foi apresentado consistia em criar listas de tarefas, onde cada item seria categorizado segundo a sua prioridade (ABC, cores, símbolos). Em teoria, o método é simples, mas na prática torna-se extremamente difícil de aplicar, especialmente num contexto profissional, uma vez que as baixas prioridades de uma pessoa poderão ser as altas de outra, e vice-versa. Acabei por abandonar as cores e o ABC, e voltei ao meu sistema primitivo de agenda e listas de tarefas.

Nos últimos tempos, decidi investigar um pouco para tentar arranjar um sistema simples e facilmente adaptável, que me permitisse melhorar a minha gestão pessoal – e, consequentemente, a gestão da minha vida pessoal e profissional. Um dos grande factores que me levou a isto, foi mesmo o ter ficado farto de ter sempre mil e um papelotes com coisas para fazer, espalhados por todo o lado: dentro da agenda, no carro, no quarto e por aí fora.

Uma pesquisa intensiva levou-me ao GTD (Getting Things Done), o sistema proposto por David Allen. Adquiri o livro, li-o de uma ponta à outra, e comecei a introduzir algumas das recomendações propostas no meu próprio sistema de gestão. Considero o GTD muito simples, fácil de aplicar e, mais importante, de adaptar. As fases iniciais são complicadas, principalmente quando nos apercebemos da tralha, mental e física, acumulada na nossa vida. No decorrer das próximas semanas, irei descrever não só os princípios básicos do GTD, mas também a minha própria experiência e, mais para a frente, alguns princípios bastante úteis da chamada gestão de tempo “clássica”. Até lá, divirtam-se com este vídeo que contraria tudo o que foi dito até aqui, onde se explica porque é que afinal, o melhor é deixarmos as coisas por fazer.