.blindfold

A cidade adormece a pouco e pouco enquanto a chuva cai sem parar. Ainda não é hora de fechar os olhos e sonhar, o vermelho do copo confunde-se com o tampo da mesa, oiço garras a raspar em tecido que guarda em silêncio palavras e lágrimas, risos e esperança num futuro que deixou de ser quando a porta bateu pela última vez.

Troquei a caixa de fósforos por um cubo de gelo, pelas escadas fui deixando cair poeira e saudade, já não oiço gritos, nem molas velhas a chiar, nem passos apressados pelas escadas que engordam o bicho que gosta de viver no escuro; olhei para trás uma última vez e vi memórias, as minhas e as dos outros, escolhas e histórias que seriam vividas a dois, um carreiro de pimenta para afugentar a formiga trabalhadora, uma dedicatória no vidro que dava para a janela da idosa que lambia os beiços com os dramas de carne e osso.

Ainda não pisei o terraço luminoso mas sei que ele está já ali, à espera.


.help, I’m alive

Palavras que me fazem pensar e soam familiares: querer uma vida mais simples, a paralisia que surge do medo de falhar e de não sabermos quem somos ou o que queremos, que há algo que deve mudar e ainda não sabemos o quê, como ou quando.

I tremble // They’re gonna eat me alive // If I stumble //They’re gonna eat me alive // Can you hear my heart beating like a hammer, beating like a hammer // Help, I’m alive, my heart keeps beating like a hammer // Hard to be soft, tough to be tender // Come take my pulse, the pace is on a runaway train (…)

{O novo álbum dos Metric é, sem sombra de dúvida, uma das melhores coisas que tenho ouvido nos últimos tempos – dêem um pulinho aqui e tirem as vossas conclusões}