.do outro lado da linha

Quando estamos a falar com um surdo não adianta que o volume da voz esteja no máximo. Passo tanto tempo a ouvir os outros que me esqueço do som da minha própria voz; terá sido por engano que este guião me foi atribuído? Só existo quando vejo o meu reflexo nas poças de água lamacentas, que secaram por falta de lágrimas de crocodilos transformados em sapatos de luxo.

As ideias explodem como pipocas queimadas, numa taça de barro decorada com gemas de ovo, secas pela indiferença de um tempo que só passa uma vez. Basta abrir uma brecha para o caos voar, com asas de caramelo que se colam na face dos gulosos indiferentes às dificuldades em ver uma tempestade de areia vermelha.

Sabias que a poeira estelar entope o nariz dos meninos que não pagam o gelado de morango decorado com frutas podres?